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Esperanças e desesperanças da Anemia Falciforme

Sem respostas definitivas mas com um pequeno punhado de soluções prováveis, terminou na capital do Ghana, a cidade de Accra, a maior de todas as reuniões alguma vez realizada para debater, em ambiente de ciência, o que se conhece e o que se precisa saber e fazer em nome dos doentes de Anemia Falciforme (Drepanocitose).

Desta vez foi o Primeiro Congresso Mundial sobre a Anemia Falciforme, evento que deverá ter inaugurado um novo ciclo no modo de a Humanidade lidar com a patologia, estabelecendo, para já, a necessidade de encontros semelhantes de tempos a tempos. Assim, o próximo congresso mundial será dentro de dois anos, na cidade norte americana de Atlanta.

Accra foi, no entendimento de grande parte dos delegados ao Congresso, um ponto de viragem por ter conseguido a mais alargada participação de sempre, com a presença dos mais influentes e prestigiados pesquisadores à escala planetária.

Durante as intensas jornadas, praticamente tudo o que a Humanidade tem como conhecimento acumulado sobre a doença – desde diagnóstico, terapia, acompanhamento e até o modo de a evitar – foi abordado nos vários painéis, ficando-se a saber, com exactidão, o que acontece a respeito dessa doença do sangue em todas as regiões do Mundo onde ela está presente, nomeadamente:África em maior proporção, América, Médio Oriente, Ásia e Europa Mediterrânica.

Respostas no presente Médicos, enfermeiros, pessoal clínico de distintos saberes e habilidades, pacientes e pais, de um encontro com a dimensão do Congresso de Accra, esperam sempre o mesmo: o que fazer no dia-a-dia da batalha contra a Anemia Falciforme?    Os procedimentos no manuseio dos casos, batidos e rebatidos pela prática hospitalar, não mostraram grandes variações, numa análise global das experiências transmitidas pelos oradores, pelo que a atenção principal centrou-se nas pesquisas de medicamentos, os novos e os que já existem há algum tempo.

   A satisfação que tomou conta do grande encontro foi pelo facto de as pesquisas demonstrarem que este campo continua acutilante, empenhado, contrariando o severo deserto de muitas décadas do passado, em que os médicos e seus assistentes dispunham de pouquíssimas opções para aliviar o sofrimento dos seus pacientes. Escassas opções farmacológicas para minguados resultados de sobrevida, uma verdade amarga que se tornou traço distintivo da luta universal contra a Anemia Falciforme, a tal ponto que muitos profissionais de saúde aprenderam em cátedras e manuais que a existência da Drepanocitose não era mais do que um desígnio do Destino para estabelecer o princípio da selecção natural da espécie.

O caminho até Atlanta Depois do Ghana, abre-se um percurso que vai exigir novas e decisivas performances da ciência no seu conjunto, para que o congresso de 2012 não se converta em reunião para “mais do mesmo”. Ou seja, o grande repto lançado pelo evento que acaba de ter lugar em Accra é o de se trabalhar intensamente para que se chegue ao encontro da América com respostas clínicas efectivas. Os doentes esperam isso, os seus familiares e, obviamente, os profissionais de saúde pública.

Anemia Falciforme, o que é?

É uma doença do sangue, hereditária e que deve o seu nome ao formato dos glóbulos vermelhos (hemácias), que no lugar de redondos se tornam semelhantes a foices. Só nasce uma criança com Anemia Falciforme quando o pai e a mãe contribuem com a hemoglobina S presente nos seus genes.

Onde existe?

A AF é comum em África, na América e Caraíbas, Europa mediterrânica, no Médio Oriente e na Índia.

Manifestações

-Crises de dor frequentes, por vaso-oclusão

-Hemoglobina baixa que obriga a transfusões sanguíneas constantes

-Icterícia (olhos amarelados)

-Osteomielite

-Priaprismo

-Acidente vascular encefálico, etc.

Tratamento

- Para cura, transplante de medula óssea, procedimento onde a existência de um doador compatível é incontornável. Maior sucesso em crianças, mas continuam os estudos e as pesquisas para transplantes com maior segurança.

 -Para tratamento visando o alívio (não cura) usa-se hoje tendencialmente a hidroxyurea, um quimioterápico que entretanto levanta inquietações relativamente aos seus efeitos secundários. Tem ensaios feitos nos EUA mas ninguém está em condições de garantir, com exactidão, como actua no contexto de África, onde existem doenças que na América do Norte não se encontram, como a malária. O estado nutricional das crianças africanas, em tudo diferente ao dos petizes americanos, é outro dos pontos que conduzem a reticências.

- Transfusões nos episódios exacerbados da anemia. Os pacientes com complicações graves, como Acidente Vascular Cerebral (AVC), são submetidos a regimes regulares de transfusão sanguínea.

Cuidados especiais

Devem ser evitados os casamentos entre pessoas AS.  Do mesmo modo que nos tempos actuais é fundamental o conhecimento prévio do estado serológico em atenção ao risco do HIV/SIDA, quem se prepara para constituir família deve saber se existe ou não a possibilidade de se gerar filhos com Anemia Falciforme.

Estatuto

Problema de saúde pública Dia Mundial da AF Celebra-se a 19 de Junho de cada ano o Dia Mundial da Anemia Falciforme. Foi instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2008.

Primeiro diagnóstico

Foi feito em 2010 (há cem anos), no Presbyterian Hospital de Chicago, pelo cardiologista norte americano James Herrick, que depois publicou a observação. O paciente era Walter Clement Noel, nascido em Granada e bolseiro numa universidade de Chicago, do curso de Estomatologia.


Luís Fernando, em Accra
30 de Julho de 2010
18:25
 
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Comentários

  1. Narla Patricia
    2010-08-05 14:32:14
    Reportagem de grande valor,tu realmente sabe abordar bem o assunto quando se trata de anemia falciforme, aqui no Brasil tenho amigos e parentes q convivem com esta doença, q nao é nada facil de lidar, mais com muito esforço,é superada atraves de tratamentos e prevençao...aguardo mais noticias...estou sempre por dentro do assunto e sempre repassando aos amigos...abraços L.F
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