O Executivo alemão reuniu-se nesta quartafeira para aprovar um pacote orçamental no valor de € 81,6 mil milhões para o período compreendido entre 2011 e 2014.
O referido pacote surge na sequência da reunião do G20 em que uma das metas definidas foi a redução do défice orçamental dos países que fazem parte do grupo para metade nos próximos 3 anos.
A chanceler alemã, Angela Merkel, foi um das defensoras mais aguerridas desta medida, devendo por isso mesmo ser exemplar no cumprimento do postulado, com vista exigir com maior legitimidade o rigoroso cumprimento das metas préestabelecidas.
Segundo Merkel, estão previstos neste pacote, cortes orçamentais sem precedentes, que irão equivaler a 2,7% do Produto Interno Bruto da Alemanha, sem no entanto comprometer a recuperação económica do país.
O referido plano orçamental inclui um imposto sobre transacções financeiras dos bancos no valor de € 2.000 milhões por ano e um imposto de € 2,3 mil milhões sobre as centrais eléctricas. Estão igualmente previstas reduções no sector da defesa e o adiamento das obras de reconstrução do palácio real de Berlim.
O ministro das Finanças Wolfgang Schaeuble afirmou que os cortes previstos vão permitir reduzir o défice federal em 40% durante os próximos cinco anos.
O défice orçamental da Alemanha deverá atingir 5,5% do PIB este ano, quase o dobro do limite imposto pelo Pacto de Estabilidade da União Europeia (3% do PIB), mas ainda assim muito abaixo dos 13,6% do PIB atingidos pela Grécia em 2009.
Nota para o facto de que os Estados Unidos e outras economias desenvolvidas têm criticado duramente a Alemanha por dar, aparentemente, mais importância ao equilibrio orçamental do que à recuperação económica, mas é bem verdade que toda e qualquer iniciativa europeia de resgate a países em dificuldades orçamentais, irá sempre exigir um desembolso maior por parte da Alemanha, não somente por ser a maior economia da Zona Euro, mas também por possuir uma maior consolidação orçamental e uma maior participação no capital do Banco Central Europeu.