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Águas

Cristalina lidera esforços na promoção da água nacional

O mercado de venda de água em Angola está a conhecer mudanças. Até há bem pouco tempo, as marcas de água mineral importadas, principalmente as portuguesas, eram as mais consumidas. Após a forte aposta do Grupo Mostratus e de outras empresas do sector, o volume de importações de águas decaiu significativamente: mais de 50% nos últimos três anos. Se, em 2007, Angola importou 150 milhões de litros de água, esse número passou para 96 milhões em 2008 e ficou abaixo dos 70 milhões de litros em 2009.

“O Governo deveria começar a avaliar as quotas de importação para baixar os níveis dos produtos importados que Angola está a produzir” Elsa Bárber, directora do INADEC: há que aumentar a capacidade de produção.

 

De acordo com dados do Ministério da Indústria tal tendência resulta do facto de o país, nos últimos anos, intensificar a produção de água mineral “made in Angola”. Actualmente existem mais de 16 marcas nacionais, sendo que a capacidade de produção interna vem dando resposta às necessidades do mercado. Por exemplo, só a Mostratus, empresa detentora das águas Cristalina, produz anualmente mais de 100 milhões de litros de água de nascente.

Segundo Cláudio Dias dos Santos, (administrador executivo) do Grupo Mostratus, (player do mercado com um dos maiores investimentos no sector nacional), a quantidade de água proveniente do exterior é seguramente coberta pelas demais fábricas do ramo.

“Se, nos últimos dois anos, as importações acercaram-se dos 90 milhões de litros de água, entre gaseificadas, lisas e com sabor, facilmente concluímos que o nosso mercado, só ao nível de águas lisas, está em condições de dar resposta às necessidades interna”, afirmou.

Para além da capacidade de produção nacional, outro indicador que justifica a consolidação da água mineral angolana é a qualidade. Segundo os especialistas, quando se tomam em consideração as características minerais ricas do nosso país (solo) vis-a-vis Europa, facilmente se conclui que o produto nacional é de maior qualidade que os produtos importados. Águas de nascente tal como a Cristalina, a Chela e a Saudabél, são reconhecidas por estes ricos atributos minerais.

“Temos também de ter em conta que o produto importado demora no mínimo 30 dias até chegar ao nosso país. Durante este período, o sol e o facto de estar contentorizado contribuem negativamente para a qualidade do produto, que chega ao consumidor final, com as suas características originais alteradas”, esclarece Cláudio Dias dos Santos, que salienta ainda que, no caso das operadoras nacionais, o processo de produção, o transporte e a distribuição até ao retalhista leva, no máximo, três dias.

O director nacional da agro-indústria do Ministério da Industria e Geologia e Minas, Pedro Katendi, também alinha no mesmo diapasão: “Não há qualquer comparação em termos de qualidade, porque a nacional não passa tanto tempo no mar. A nacional é boa, tem qualidade e nós gostamos”.

O responsável considera ainda que o Governo está a fazer a sua parte, promovendo a indústria nacional. Segundo ele, é intenção do Ministério reduzir as importações de água porque já existe água suficiente. “Praticamente todas as províncias estão a produzir. Luanda tem oito fábricas, Kwanza Sul (3), Huila, Cabinda, Benguela Kwanza-Norte e Bengo têm cada uma unidade fabril de água”.

Por seu turno, a directora do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC), Elsa Bárber, defende que o Governo deveria começar a avaliar as “quotas de importação para baixar os níveis dos produtos importados que Angola está a produzir ou está a tornar-se auto-suficiente”.

Contudo, sublinha que os nacionais têm de continuar a aumentar a capacidade de produção de modo a que, no futuro, não haja ruptura de stocks, acrescentando ter ficado impressionada com a unidade fabril da Cristalina em termos da capacidade de produção e da certificação da qualidade. “Eles têm o certificado dos laboratórios que regulam a qualidade dos produtos alimentares, como o do Ministério da Indústria e da Agricultura, do INADEC, da Sonangol e do Instituto Nacional de Engenharia Tecnologia e Inovação de Portugal. As outras águas também têm o selo dos dois ministérios”, frisou.

Célia Loureiro, subdirectora do departamento de compras do grupo Cabire, um dos maiores distribuidores de produtos agro-alimentares no país, salienta que a capacidade e a qualidade interna permitem competir com os produtos importados.

“No que diz respeito à qualidade, preços e prazos de entrega, as águas nacionais apresentam melhores condições quando comparadas com as importadas. Neste momento, apenas comercializamos pequenas quantidades de água importada (adquiridas em Angola) num dos segmentos de venda da Gourmet (ponto de carne) apenas para poder dar ao cliente várias opções de escolha”.

Para Célia Loureiro a qualidade é importante na venda de produto, mas o factor decisivo na aceitação e rotação junto dos consumidores é a relação entre o preço e a qualidade.

“Os clientes pedem um produto de qualidade ao melhor preço, por isso julgo que o produtor tem a obrigação de garantir todas as certificações e padrões de qualidade”. Acrescenta ainda considerar importante que os consumidores entendam que os produtos nacionais não são mais baratos por falta de qualidade, mas antes percebam que é possível produzir bem, com todos os padrões e certificações nacionais e internacionais a um preço justo e ao alcance de todos.

“As águas importadas têm de taxas aduaneiras 42,60%, o que, logo à partida, limita e, acima de tudo, coloca a Cristalina, por exemplo, com uma vantagem concorrencial, visto que apresenta as características pretendidas numa água de nascente que reúne todas as qualidades nutritivas e tem a grande vantagem de ser produzida em território angolano”.

Manuel Nunes
16 de Julho de 2010
11:45
 
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Comentários

  1. Domingos Costeira
    2010-07-16 15:07:33
    São empresas como estas que fazem crescer a economia nacional. Parabens
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