Numa altura em que os preços dos diamantes já estimulam o relançamento da produção, o conselho de ministros da associação dos Países Africanos Produtores de Diamantes (ADPA) reúne-se esta semana, na África do Sul. O ponto quente da agenda centra-se na avaliação a implementação da estratégia africana para a saída da crise que afectou o mercado diamantífero mundial. O secretário executivo da ADPA, Edgar Diogo de Carvalho, afirmou a O País que o fórum vai apreciar com particular atenção as estratégias definidas por cada um dos membros face à crise que paralisou o sector e traçar novas metas à luz do plano de acção para o próximo exercício. “Angola, um dos principais produtores de diamantes, está já fazer investimentos com vista à reactivação e relançamento da produção diamantífera”, referiu, acrescentando que os investimentos previstos se enquadram na estratégia do Executivo angolano com vista a desenvolver o sector da geologia e minas no país.
Questionado quanto ao quadro actual do sector nos países membros da associação, confessou que o mesmo é pouco animador devido à ausência de investimentos por parte da maioria dos respectivos governos.
O relançamento da produção, considerou, exige grandes investimentos, indispensáveis à reposição dos níveis anteriores à crise.
Diogo de Carvalho considera o aval recebido pelo Zimbabwe da parte de um organismo internacional de supervisão do comércio de diamantes com o objectivo de permitir-lhe comercializar as suas pedras preciosas, uma decisão importante, na medida em que possibilitará obter mais receitas para fazer face a uma situação económica débil.
O Zimbabwe, recorde-se, estava submetido a um embargo pelo Processo de Kimberley, um órgão de supervisão da comercialização de diamantes, devido a acusações de prática de tráfico, em larga escala, do precioso mineral por parte de altos dirigentes.
Os países produtores de diamantes conseguiram, à luz do Processo Kimberley, estabelecer um canal único de comercialização da pedra preciosa, consubstanciado na implementação do critério de certificação, expulsando assim do mercado oficial a venda de diamantes para fins ilícitos.
No conselho de ministros da ADPA estará igualmente em análise a regularização das quotas por parte dos membros da organização. Angola é, registe-se, dos poucos países que têm a sua quota em dia.
“Vamos apresentar e propor um novo modelo de quotização face à dificuldade dos países membros em cumprir o seu dever no que respeita à quotização. Esperamos que novo modelo seja aprovado a bem dos princípios que presidiram à criação da ADPA”, sublinhou Diogo de Carvalho. Angola, que participa nesta reunião da ADPA com um delegação chefiada pelo ministro da Indústria, Joaquim David, a qual integra ainda o secretário de Estado da Geologia e Minas, Mankenda Ambroise, e técnicos do sector, vai proceder à transferência da presidência do conselho de ministros da ADPA para a África do Sul, que a exercerá nos próximos quatro anos.